Espinhos em rosas: Amizades Tóxicas

Existe todo tipo de relacionamento abusivo. Algumas amizades nos fazem muito mal, embora nos convençam do contrário. Essas Amizades Tóxicas também são relacionamentos destrutivos. Toda rosa tem espinhos, mas insistir em colher algumas, apenas nos machuca.

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Quando estendemos nossas expectativas e nossas esperanças em novos relacionamentos, esperamos bem estar, reciprocidade, doses de amor e cumplicidade. Esperamos além de tudo, aceitação, respeito e honestidade.

A amizade é um relacionamento importante para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo do indivíduo, que passa a ser, então pertencente a um meio que não o familiar, um grupo que tem mais pessoas além dele. Esse processo causa um imenso e duradouro prazer, bem como uma sensação de pertencimento e completude. Beverley Fehr em seu livro, Friendship Process (Processo da Amizade em tradução livre), afirma que pesquisas realizadas por décadas apontam os benefícios de se estar em uma amizade saudável e duradoura.

Diante dessa afirmação, podemos compreender os motivos de pessoas sofrerem com a intensa solidão, ou buscarem se encaixar em ambientes até então nada compatíveis com sua visão de mundo e ideais de vida.

“A amizade, trata-se de um relacionamento pessoal e voluntário, que propicia intimidade e ajuda, no qual as duas partes gostam uma da outra e buscam a companhia uma da outra”

Berveley Fehr, Friendship Process, 1996

A Amizade, é portanto um processo reforçador que causa prazer e realiza os objetivos dos indivíduos na interação com outrem. Por esse motivo, é possível dizer que a perda da amizade (abrupta ou gradual) causa tensão, ansiedade, sofrimento até mesmo episódios depressivos. E esse é um dos motivos pelos quais trabalhamos na manutenção da amizade e não raras vezes permanecemos em relações que nos causam mal, no entanto, como somos intensamente reforçados em diversas situações, aceitamos problemas sérios como críticas desnecessárias, mau humor e pessimismo constante, episódios exagerados de ciúmes, inveja, silenciamento, humilhação, até mesmo traição. Portanto, uma gama altamente variada de demonstrações subjetivas e físicas de descaso, falta de reciprocidade, ausência de caráter.

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A conhecida expressão “Apunhalad@ pelas Costas”, se encaixa na vida da maior parte das pessoas que se sentiram traídos por quem um dia chamaram de amigos.

É perigoso dizer quais as características de um amigo perfeito, contudo, é possível apontar adjetivos que auxiliam na manutenção de qualquer relacionamento, tais como: honestidade (não aquele que te diz o que quer ouvir sempre, mas também não aquele que diz apenas o contrário, esse equilíbrio honesto é importante), compreensão, ausência de posse (seu amigo não é seu dono, você não deve “obedecer” a ele, ele não pode ditar os passos que você dá e escolhas que faz), respeito, altruísmo, reciprocidade e a melhor parte de todas: Sorrisos, sim um bom relacionamento lhe causa sorrisos soltos, gargalhadas longas e altas e uma sensação gostosa de auto confiança e despreocupação.

Do contrário, qualquer que seja o relacionamento, é tóxico. Ele infecta nossa vida, entra pelos poros. Bons relacionamentos não causam dependência, mas sim cultivam a independência dos sujeitos e promovem as suas individualidades. Uma amizade tóxica nos transmite uma enorme carga dolorosa, cheia de medo, desconfiança e apatia. É um vírus perigoso, e nosso instinto de sobrevivência, além daquilo que aprendemos todos os dias, nos doutrinam a agir exatamente da mesma forma, conosco e com os outros. Nos tornamos a amizade tóxica, ficamos adoecidos e construímos relações adoecidas.

“Mais vale um verdadeiro amigo bem distante, do que um falso amigo ao seu lado! Nem tudo que te agrada, te faz bem…e nem tudo que te machuca vem pra te destruir!”

Nety Teixeira

O importante aqui, não é apenas reconhecer as amizades tóxicas, mas sim aprender a como se livrar delas, como afastar o que suga suas energias e machuca quem você é ao ponto de te transformar naquilo que e fez mal. O primeiro passo é sempre se perguntar se deseja permanecer nessa relação. Se a resposta for negativa, lembre-se: Você não está abandonando aquela pessoa, você está cuidando de si mesm@.

É fundamental lembrar-se também que aquele indivíduo nem sempre age da forma como age por ser uma semente do mal, ou por ter uma total escuridão da alma, ou o que quer que seja, muitas dessas ações são aprendizados a partir do que se viveu, esse amigo tóxico pode ter sido infectado por outro antes dele. Contudo, não é sua obrigação “curar” o outro e “salvar a vida” dele. Você não precisa se permitir continuar se machucando.

Algumas vezes esse processo apenas nos despersonaliza, tira de nós o que nos faz quem somos, e nos torna o outro, aquele que nos faz mal, aquele que não está ali para enriquecer nossas vidas, mas sim para se valer dela e afundar nossa auto estima e nossas expectativas. Temos que ter cautela com essas mãos que mesmo no afago, nos apedrejam (parafraseando Augusto dos Anjos). Todos merecemos amizades, amores e relações saudáveis.

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Todas as rosas possuem espinhos, eles estão lá para protegê-las, mas também para nos ensinar que mesmo com defeitos, as coisas podem ser de enorme beleza. Porém, nem todas as rosas devem ser colhidas, algumas tentativas podem perfurar nossas peles e no final, não valerá todo o caminho feito, a não ser pelo aprendizado que ficou.

Não precisamos insistir na dor de uma amizade Tóxica. A premissa “Antes só, que mal acompanhado” nessa situação, deve-se tornar um lema, quase um mantra. Até porque logo encontramos o nosso lugar, onde as rosas são plantadas de modo a não nos machucar, e o que aprendemos antes, são um presente, valorizamos a nossa amizade, bem como a daqueles que realmente são nossos amigos, sem toxicidade, sem dor.

⇒Fontes:

Amigos Tóxicos Roubam a Felicidade

Amizades tóxicas: como se livrar delas!

O segredo das amizades que duram

Friendship Processes – Beverley Fehr

Nem tudo que você gosta, te faz bem!

Algumas pessoas dizem que “vontade é uma coisa que dá e passa”. Para irmos mais além, vontade é o ingrediente básico para fazermos as coisas que queremos, outro ingrediente é impulsividade, no entanto, independente disso tudo, se fomos reforçados/motivados, iremos sempre utilizar os mesmos ingredientes esperando variados sabores de bolo! Mas a vida não é uma receita culinária.

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Quando tentamos algo novo, usamos estratégias que já estão no nosso repertório de aprendizado. Isso é completamente normal, afinal, só falamos as línguas que aprendemos a falar. O real problema está quando utilizamos a mesma fórmula que antes falhou, esperando resultados positivos. E quando ela falha de novo, nos arrependemos de tê-la usado, mas por algum motivo, que é particular de cada um, continuamos repetindo a fórmula do fracasso. Cometemos os mesmos erros, esperando que os resultados sejam outros.

Por que fazemos isso? Cada um tem seus motivos, só quem sente a dor ou o prazer sabe o peso que carrega. Contudo, geralmente repetimos comportamentos porque em algum momento ele funcionou e em algum outro momento voltou a funcionar e esporadicamente pode vir a funcionar de novo. Mas o problema é que o número de perdas com ele, são maiores do que se tentássemos outras coisas, se inovássemos.

Para aliviar a tensão e o medo do fracasso e da perda daquilo que desejamos, usamos mecanismos que a curto prazo nos dão forças, nos fazem sentir melhores, mais fortes, motivados. Na verdade é apenas uma sensação passageira, e ela nos toma quase que completamente, nos convencendo que devemos tentar novamente. Não percebemos a diferença vital entre persistência e insistência, determinação e teimosia. E esse é um círculo vicioso forte e muito difícil de ser quebrado, pois o prazer raramente obtido com a fórmula do fracasso, é intenso e grandioso (mesmo que passageiro).

A este ciclo perigosamente interminável damos o nome de Ciclo de Auto-Sabotagem, o que inclui a primeira fase (aquela de sempre tentar as mesmas coisas), e a segunda fase, chamada de comportamento auto-destrutivo.

Os comportamentos autodestrutivos são aquelas nossas ações diárias aparentemente inofensivas, aquelas que “todo mundo faz”. Beber, fumar, se alimentar compulsivamente, ou não se alimentar de forma alguma, se auto medicar, entrar em relacionamentos abusivos constantemente, se por em situações de risco. Muitas ações nós escolhemos, outras acontecem por conta de uma cronologia escravizante permeada no caos de ações e consequências, nossas e dos que estão envolvidos.

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No livro “O Ciclo da Autossabotagem”, Stanley Rosner, psicólogo, e Patricia Hermes, escritora, trazem histórias para ilustrar episódios em que as pessoas continuam agindo de modo auto destrutivo, esperando obter ganhos imediatos, ou até mesmo à longo prazo. Eles afirmam que eventos traumáticos podem dar origem à esses comportamentos, de modo a prejudicarmos nossas relações pessoais e profissionais.

Com tantas discussões a respeito de relacionamentos abusivos e tóxicos, nos perguntamos se o ciclo de auto-sabotagem, e, portanto, os comportamentos auto destrutivos, não são a nossa maneira particular de sermos nós mesmos os nossos abusadores? Muitos de nós negamos que nos fazemos mal ao ponto de representarmos um perigo para a qualidade de vida que possuímos, ou devemos possuir.

Contudo, em contra partida, quando os maus hábitos existem há muito tempo e fazem parte do cotidiano do sujeito, quando há a construção do entendimento (conscientização) sobre isso, o sujeito se encontra em um estado de culpa massacrante, gerando conflitos e voltando ao ciclo. É importante dizer, então, que conscientização não muda comportamentos, pelo contrário, podem gerar sentimentos de culpa intensos e dolorosos que apenas reforçam a auto sabotagem.

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Não existe fórmula mágica para que as coisas aconteçam de um modo mais saudável, o que existe é muito trabalho e aprendizado diário. Mas dizer isso para as pessoas que estão passando por essa situação, é uma tortura. Tudo pode e deve começar da forma mais simples: trabalhar a auto-compaixão, notem que aqui não se falou em auto piedade, ela pode acarretar outras consequências aversivas e perigosas para o sujeito.

O que se propõe é uma auto avaliação, compreender-se como o ser humano que é, sujeito à falhas e erros, mas também à conquistas e acertos. Buscar fazer tudo que puder de forma responsável, mudar contingências e ambientes em que os seus comportamentos são auto-destrutivos. Então compreender e aceitar o prejuízo que causou a si e àqueles ao redor. Se culpabilizar é um caminho longo e infrutífero, o indicado é buscar se perdoar, como primeiro passo. Não ser vítima, ser um personagem ativo da própria vida.

O princípio de uma mudança efetiva é, fundamentalmente o estabelecimento do amor próprio e de uma gama de comportamentos positivos, que reforcem costumes e aprendizados novos, que facilitem a interação com pessoas e novos contextos. A melhor maneira de quebrar um ciclo é o trabalho cotidiano na saída do caminho que se repete, a zona de conforto não é uma opção real. Nem tudo que você quer, te faz bem!

ATENÇÃO: Você pode tentar as mudanças sozinho, mas é altamente aconselhado e recomendado que você procure ajuda profissional (Psicólogo/Psicoterapeuta) para passar por este processo.

⇒Fontes:

Como parar Com Comportamentos Auto Destrutivos

Queimaduras autoinfligidas: tentativa de suicídio

O Ciclo da Auto Sabotagem, de Stanley Rosner e Patricia Hermes

Onde mora a Saudade?

No dia 30 de Janeiro se comemora, ao menos no Brasil, o dia da Saudade. Não seria diferente, já que é uma palavra que existe apenas em português e define um estado de nostalgia, melancolia ou mesmo conforto e felicidade. A saudade é aquele algo feliz e triste ao mesmo tempo.

“Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem. Porque têm essa palavra para dizer que as têm.”

Fernando Pessoa

Existem infinitos poemas, textos, frases, cartas a respeito de Saudades. Bem como existem infinitas formas de saudades. Cada um tem a saudade guardada em algum lugar de acordo com a sua história. Sente falta do que teve e não tem mais, sente falta do que tem mas não é do jeito que esperava que fosse, sente saudades do que nunca teve, que muitas vezes nunca realmente tentou ter, por bom senso ou comodismo.

Saudades é vontade de algo ou alguma coisa que foi, nunca foi, poderia ter sido, ou nunca será. É difícil definir algo que todos sentem, mas só nós temos uma palavra específica para caracterizar.

Na angústia desse sentimento, muitas pessoas podem se perder e cometer atitudes que diminuam a dor e a insatisfação. Esse momento pode causar ansiedade, perturbações do sono (insônia, hipersonia, terrores noturnos), e em alguns casos, até mesmo depressão. Nem sempre há algum ganho real na busca efêmera pelo conforto, contudo, quem pode culpar alguém que obtém um conforto imediato satisfatório?

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“Vai com a sombra crescendo o vulto enorme/ Do baobá…/ E cresce na alma o vulto de uma tristeza, imensa, imensamente…”

Raimundo Correia , Soneto Banzo.

Quando usamos a expressão: “Estou morrendo de saudades”, pode ser e é na maioria das vezes uma hipérbole. Mas isso não surgiu de leituras dramáticas shakespearianas e operetas sofridas. Essa tristeza, foi chamada de  “banzo”, caracterizava-se por estado de depressão que acometia os africanos escravizados no Brasil, tornava-se, então, uma enfermidade crônica, uma condição imensamente dolorosa que levava os negros à morte.

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Cena do Filme Amistad (1997)

O termo é conhecido desde a época da escravidão, mas foi em 1933 que se popularizou contemporaneamente, no livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.

O site da revista Mente e Cérebro, aponta um estudo que trabalhou com um tipo específico de roedores, quais foram separados de suas parceiras por quatro dias. Nesse período, os animais apresentaram os sintomas equivalentes à depressão e ansiedade.

“Mesmo em um curto prazo, a separação deflagra um estado aversivo ao meio, que faz com que os arganazes-do-campo (roedores usados no estudo) procurem seus parceiros para não perder o vínculo”.

Larry Young, neurocientista comportamental, Centro de Pesquisas Nacionais em Primatas da Universidade de Emory, co-autor do estudo.

É possível compreender toda a dinâmica da saudade, todas as causas e a forma como nos sentimos, algumas vezes é saudade e nem sabemos de quê ou por qual razão. Mas o sentimento está ali apertando o músculo que pulsa dentro do nosso peito. É quando, numa necessidade voraz de sobrevivência, buscamos aplacar a saudade.

Como exterminar o Banzo? Como encontrar algo que não sabemos bem onde está? Por via das dúvidas tentamos de tudo, desde novas amizades à ligações demoradas para as pessoas que amamos. Esse sentimento é inerente ao ser humano, isso explica, porque, desde o início dos tempos tiramos fotos, fazemos desenhos, gravuras, escrevemos cartas. A saudade mora por aí e por aqui, ela está em todo lugar, e mesmo que ele nos devore por dentro, e reflita por fora, a parte mais gostosa dela é quando sorrimos no reencontro, no abraço, na lágrima.

A saudade é uma poesia em si, um sentimento lindo e persistente, que fica ainda mais linda quando morta.

 

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A Melhor parte da Saudade é quando ela Está Morta. 🙂

Fontes:

A Saudade que Mata

Por que dói tanto ficar longe de quem amamos?

Casa Grande & Senzala – Gilberto Freyre – PDF

30 de Janeiro – Dia Nacional da Saudade

Mecanismos da saudade se assemelham à abstinência de drogas

Onde Estão os Sentimentos na Análise do Comportamento?

Meses Coloridos: Janeiro Branco

Perto do fim de Janeiro, é interessante fazer um balanço de como foi e está sendo (e até mesmo será daqui pra frente) o Projeto Janeiro Branco

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A proposta parece simples: “Mostrar às pessoas que elas podem se comprometer com a construção de uma vida mais feliz para si mesmas.” E justamente no primeiro mês do ano, quando estamos todos reavaliado as nossas vidas, o que desejamos, o que fizemos, o que vamos fazer… Para quem já vem de uma condição de sofrimento psicológico no decorrer do ano que passou, essa frase vai ficando mais pesada.

Por isso mesmo é que a proposta apenas “parece simples”. Não é fácil cumprir promessas de ano novo, muito menos quando elas estão relacionadas à nossa saúde mental.

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É nesse sentido que o Janeiro Branco é um projeto dinâmico que quer ajudar à encontrar caminhos e alternativas para produzir uma vida mais feliz. Não é apenas mais uma campanha à qual aderir em redes sociais. Claro que essa adesão das massas é fundamental para a discussão e os debates dos assuntos mais diversos. Mas o projeto vai além de apoio à uma causa, possui uma construção teórica, um trabalho intenso e bem estruturado de Psicólogos, Médicos e demais profissionais de saúde. No link do site oficial acima, você pode encontrar todo o respaldo teórico e prático do projeto.

Os 5 objetivos da Campanha Janeiro Branco:

1 – Fazer do mês de Janeiro o marco temporal estratégico para que todas as pessoas do mundo reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental e da Felicidade em suas vidas ao longo de todo o ano;

2 – Chamar a atenção de todo mundo para o tema da Saúde Mental nas vidas das pessoas;

3 – Aproveitar o início de todo ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para serem verdadeiramente felizes;

4 – Chamar a atenção das pessoas para pensarem a respeito do que precisam mudar em suas vidas para serem, realmente, felizes;

5 – Mostrar às pessoas que sempre é possível o fechamento e a abertura de novos ciclos em busca da Felicidade em suas vidas – afinal, ano novo, vida nova, mente nova!

Os pontos acima descritos não aparentam complexidade, são atitudes diárias e pequenas que visam, juntas, completarem os objetivos de maneira efetiva, como todo projeto, o JB também possui uma estruturação básica e que pode ser compreendida por todos os públicos. Mas o JB não se restringe à atendimento profissional, ir à Psicóloga e tomar todas as medicações prescritas pelo Psiquiatra, qualquer um tem a capacidade de ajudar o outro. E o site do projeto explica algumas formas simples:

1 – Incentivando-as a pensar: o ano mudou – vamos mudar de vida também?

2 – Convidando-as a entender: assim como os anos, a vida é feita de ciclos – devemos concluir aqueles que não nos fazem bem e iniciar os que nos farão felizes!

3 – Fazendo-as perceber: a virada de ano é o momento simbólico que a humanidade criou para parar um pouco e pensar sobre si mesma – essa é uma boa hora para aproveitarmos o exemplo e fazermos o mesmo em relação as nossas próprias vidas!

4 – Encorajando-as a responder: Janeiro abre as portas de um novo ano para todos – será mesmo que precisamos repetir as escolhas ou condições do ano que passou e que nos impediram de ser, verdadeiramente, felizes?

5 – Motivando-as a calcular: um novo ciclo de 12 meses está se abrindo a nossa frente – há tempo de sobra para qualquer um de nós fazer por onde ser feliz e ajudar aos outros nessa tarefa.

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Podemos começar agora mesmo, todo dia é um recomeço, um novo micro ciclo que completa aos poucos o grande ciclo de 12 meses. O cuidado, a gentileza, a compaixão, o sorriso, um elogio sincero, isso não e privilégio de profissionais, é direito e dever de cada um. Para efetivarmos essa construção, devemos, como tudo mais, começar por nós mesmos, o que fizemos para sermos pessoas melhores? E o que fizemos para ajudar os outros a serem pessoas melhores? Analisando os dias que se passaram dessa campanha, qual o impacto que ela teve sobre nossa forma de agir na vida?

O mais importante é saber que sempre existe alguém disposto a ajudar, em algum lugar, um acalento e um frescor para as pessoas que sofrem com ansiedade, depressão e diversas outras condições psicológicas.

O âmago da campanha é divulgar que “a sua dor é real e você não está sozinho”, mas alem disso, quebrar paradigmas ultrapassados e preconceitos entranhados em nós sobre saúde mental.

#QuemCuidaDaMenteCuidaDaVida

Para mais informações e contato:

Campanha Janeiro Branco – Facebook
janeirobranco@gmail.com
Whatsapp Nacional do JB: (34)99966-1835

O prazer Incompreendido na Solidão

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Cada um sente a solidão à sua maneira e em níveis completamente distintos. Essa palavra é comumente relacionada à “saudades”, mas não necessariamente estão ligadas. O que muitas pessoas – inclusive diversos terapeutas e psicólogos – não conseguem compreender é que é possível sim, sentir um imenso prazer na solidão.

Que fique claro, que a proposta do texto não é normalizar estados de solidão que causam sofrimento à um sem número de indivíduos, mas sim analisar o contrário, de modo a não patologizarmos todo e qualquer momento em que nos encontramos sozinhos.  Como John Donne sabiamente disse uma vez: “Nenhum homem é uma ilha isolada…”, e realmente não somos, somos seres completamente sociais, precisamos dessas interações para construirmos nossas personalidades e realizarmos desejos.

No entanto, se alguém aproveita de maneira franca a sua própria solidão, devemos, automaticamente pensar que ela não é feliz? Que se sente sozinha? Do mesmo modo, alguém que nunca está sozinho, e que passa todo o seu tempo cercado de pessoas é automaticamente feliz? Não se sente sozinho?

A forma como vivemos hoje, desgoverna os nossos sentidos e nos provoca uma necessidade interminável de atenção, uma atenção irrevogável e sem pausas. O “Antes só que mal acompanhado” não passa de falácia, quando estamos sós, sofremos pois não queremos estar, e quando gostamos de ter os momentos em que é possível colocarmos nosso pensamento em ordem e filtrá-los, não o fazemos, porque alguém, não se sabe quem, nos ensinou que temos que ter um medo irracional da solidão.

E é esse medo inominável e perigoso que nos faz entrar e permanecer em relações abusivas. Já não é melhor só que mal acompanhado, o melhor é acompanhado, não importa como, a que custo, ou por quem.

O que se pode fazer, se o mundo nunca esteve tão cheio e precisamos fazer parte da vida de alguém como nunca? Os nossos prazeres são sempre castrados. Gostar de momentos sozinho é um absurdo, a solidão faz mal, ela mata. Não há um contrário, e quando propomos, ele é mal visto. Quando lembramos de deliciosos banhos, de andar em silêncio pela praia, de ver um bom filme e adormecer, rejeitar barulhos altos e ler um livro em silêncio, nunca pensamos que também são esses momentos de solidão que mantém a máquina da cabeça funcionando normalmente.

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O vício frenético em barulho, movimento e companhia, um vício que não pedimos para ter, mas que nos é empurrado todo o tempo, criou uma sociedade que diz que prefere ficar em casa nos finais de semana e que se sente e se vê diferente por isso, que estar cansado de sair pra baladas aos 25 é “coisa de velho em corpo jovem”.

Existe um prazer incompreendido na solidão, não aceitamos, nem enquanto profissionais, nem enquanto seres socais que somos. Chega um ponto que devemos nos questionar: Você se sente triste pois está sozinhe? Ou precisa de companhia o tempo todo pois foi assim que foi ensinade? Nesse caso, cabe mais um questionamento: Se fosse ensinado a aproveitar momentos consigo mesmo, teria tanta necessidade dessa hiperinteração social?

Dessas perguntas podem surgir diversas outras, algumas fáceis de serem respondidas, outras não, mas de fato qualquer que seja a resposta, há um equilíbrio importante para ser lembrado, sem isso, há o excesso, e excesso transborda, em alguns casos até rompe tragicamente.

Nenhum homem é uma ilha isolada, mas ser um pedaço de terra a deriva, algumas vezes pode não ser tão ruim.